Resenha | O Jardim das Borboletas

O Jardim das Borboletas
Editora: Planeta
Páginas: 304
Cortesia da editora

Avaliação: 5/5
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Sinopse: Quando a beleza das borboletas encontra os horrores de uma mente doentia. Um thriller arrebatador, fenômeno no mundo inteiro. Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas... e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fim de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.
O mais belo jardim é também o mais macabro de todos. Um jardim colorido e agradável aos olhos... até se conhecer a verdade por trás de toda a beleza. Um jardim onde estão borboletas especialmente selecionadas, veneradas pelo seu "jardineiro"; uma a uma elas são colocadas em uma nova realidade, uma fantasia medonha e aterrorizante; essas borboletas são, na verdade, meninas sequestradas, trancafiadas, abusadas e torturadas. O jardim é um cativeiro.

Tudo naquele lugar é aterrorizador demais, as meninas chegam apavoradas e cada segundo a mais aumenta o desespero, até se darem conta de que nunca mais sairão de lá. O jardim já existe há décadas e nunca havia sido descoberto. Essas meninas vivem sob pressão psicológica constante e sentem o medo da morte iminente. Borboletas têm vida curta, elas também. E são lembradas diariamente que têm prazo de validade e ele diminui com o passar dos dias.
O processo de adaptação é doloroso, até aceitarem a nova condição é um período de choro e negação. O sequestrador é conhecido por Jardineiro (afinal, é ele quem cuida do seu jardim secreto) e ele marca todas meninas com tatuagens minuciosas que as transforma em suas borboletas. Quando as tatuagens são completadas elas ganham um novo nome e acontece o primeiro estupro. Muitos outros acontecerão.


"- É o seguinte, isso aqui é aterrorizante, chocante e uma puta injustiça, mas o fato é que estamos aqui como hóspedes involuntárias de um homem que vai querer sua companhia e, quase sempre, sexo. Às vezes, o filho dele também vai procurá-la. Você agora pertence a eles, que vão fazer tudo o que quiserem com você, inclusive marcar seu corpo como uma propriedade deles."

O Jardineiro é um homem asqueroso, doentio, acredita estar cuidando de suas borboletas. Ele acredita amá-las verdadeiramente, acredita ser zeloso, piedoso. É tudo uma ilusão. Ele é um estuprador, pedófilo, assassino, psicopata. Pior que ele é o filho dele. Avery gosta de provocar medo e se excita ao ver a menina sofrendo. Ele as tortura, algumas meninas foram tão brutalmente maltratadas durante os estupros que chegaram a morrer. Os dois são abomináveis, mas as borboletas têm mais medo do filho pela intensidade com que são torturadas.
A vida de Maya antes do jardim já era muito ruim. Ela foi uma criança negligenciada pelos seus pais, conviveu com pessoas más o tempo todo. Desde muito cedo precisou aprender a se cuidar sozinha e a lidar com situações desagradáveis. Quando acordou no jardim ela se recusou a chorar ou se desesperar, assumiu uma postura completamente diferente de todas as borboletas que já haviam passado por ali e logo despertou um interesse maior do Jardineiro e no filho dele também.

Maya passou a ser como uma líder para as meninas, mais como uma mãe. Quando precisavam desabafar, buscar consolo, ou apenas se desligar um pouco de toda a crueldade que as cercava... elas sempre procuravam por Maya. Quando o jardim foi descoberto (isso não é spoiler, está na sinopse e a trama se desenvolve a partir deste fato) e as sobreviventes foram levadas ao hospital, Maya foi levada à delegacia para ser interrogada. Ao que parece, ela sabia muito mais do que dizia e a polícia queria descobrir o segredo que ela tanto escondia.
O Jardim das Borboletas é um livro perturbador e instigante, a autora desenvolveu tão bem a trama que é como se estivéssemos naquela sala de interrogatório ouvindo Maya falar, é tão real que nos envolvemos com as personagens e sofremos por tudo o que elas passam no jardim.

O enredo aborda assuntos fortes como pedofilia, estupro e síndrome de estocolmo, mas não relata em detalhes as cenas de abuso, a autora deixa implícito o que vai acontecer, chega a narrar o que precede o ato em si, mas não o mostra claramente. É um livro para quem ter estômago forte porque ele vai mexer com o psicológico do leitor.

Maya é uma jovem intrigante, ela esconde algo da polícia e seu segredo só será revelado no final. Confesso que eu não esperava pelo que descobri, fiquei muito surpresa, mas também achei o tal segredo superestimado durante a leitura, mas ainda assim é tão terrível quanto todo o resto.

É uma obra inteligente e que eu recomendo a leitura, mas aviso que é impactante e intensa.


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